Diario

Diário pertencente à Azazel

Um começo

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Nascido no dia 02 de Setembro no ano de 2001 em Curitiba, Paraná no hospital Universitário Cajuru, um recém nascido é levado ao orfanato Boa Fé na qual viveu sua infância inteira sem um nome para chamar de seu.
Após 12 anos de uma vida insignificante, cheia de decepções e sendo julgado por todos que um dia tentaram chama-lo de "Filho", o garoto sem nome se via em um eterno ciclo de raiva ao qual ele deu o nome de vida, seu ódio por todos daquele maldito lugar crescia, se desenvolvia, e engolia qualquer sentimento que em um misero dia foi puramente bondoso. O lugar que ele deveria reconhecer como sua casa foi moldado no fundo da sua mente como sua mais nojenta e detestável prisão, e então tudo que ele pode fazer foi ler, entender e desejar; ler, entender e desejar; ler, entender e desejar; ler, entender e desejar; ler, entender e desejar; ler, entender e desejar; LER... ENTENDER... E DESEJAR.
No fim sua prisão de infinitas páginas recebeu um nome, antes mesmo que o próprio garoto pudesse receber um, ele finalmente entendeu que aquela era a sua prisão, sua sagrada prisão, sua prisão de conhecimento, a mais pura prisão que ele podia conhecer, a sua 'Prisão Áurea do Saber'.
Mas o objetivo dessa prisão existir se foi, como uma gota num oceano ele desapareceu, num piscar de olhos a prisão deixou de ter significado, pois aquele que um dia foi seu prisioneiro mais repugnante se tornou a mais importante peça dessa prisão, ele decidiu que ela apenas poderia existir no fundo de sua consciência, e então tudo o que um dia existiu lá, foi consumido pelas chamas. O adeus da criança sem nome ardeu como as chamas naquela estranha madrugada.

Singular

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Vagando sem rumo, sem animo e nem mesmo esperança, ele finalmente alcançou a liberdade que tanto queria, ele finalmente saiu da prisão que tanto o atormentava, no entanto ele ainda se sentia vazio, sem 'proposito' pois todos os dias sua mente fazia ele se recordar que sua característica mais importante ainda não havia sido decidida, o seu nome, mesmo que ele tentasse preencher esse buraco com um nome falso, sua consciência sabia que qualquer nome escolhido não era suficiente, o garoto nunca foi capaz de entender o que seria suficiente, e então através das noites ele se questionou, pergunta seguida de mais perguntas. Por que esse nome não me serve? Um nome honrado? Que tal este? Um nome que me represente? Mas o que realmente sou eu? Vivendo cada dia na borda do desejo de ter um nome ele vagou pela cidade, andando pelo dia, tarde, noite e madrugada, e questionou cada vez mais, essa cidade significa alguma coisa para mim? Eu realmente tenho um 'proposito'? Eu preciso de um 'proposito'? Então para a fria madrugada ele anunciou em voz alta seu ultimo pensamento.
"Eu quero ter um 'proposito'!" Sua voz carregava tanta emoção quanto aqueles que um dia ja viveram o verdadeiro amor.
"Um proposito você diz?" Uma doce voz anunciava sua chegada, saindo do beco iluminado pela mais pura luz noturna um homem com a pele mais pálida que a própria lua, seus cabelos loiros junto de seu sobretudo branco passavam a impressão de pureza e calma.
"Desculpe, onde estão meus modos? Meu nome é Rafael" Disse ele com um doce sorriso que nunca escapava de sua face "Eu não pude deixar de notar que você exclamou com todo seu ânimo, a vontade de ter um 'proposito'."
'Curiosidade' era a única coisa que o garoto sentia naquele momento, sua ânsia de entender e conhecer tudo falava mais alto que seu medo, sua raiva ou sua dor, ele entendia que talvez a sua oportunidade de ter um significado nessa mísera existência seria através de entender tudo que pudesse, ou não, ser lido. Com um sorriso o garoto perguntou "É estranho dizer a única coisa que nós torna tão singular?".

Pai

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Eu jamais pensaria que alguém realmente iria me acolher depois do orfanato, um garoto sem nome, inútil e de péssima aparência, mas ele foi diferente, assim como sua chegada é claro, ele foi suficiente e até mais, ele foi alguém que eu nunca tive, um pai eu diria, no entanto não existe propriedade em minha fala pois eu realmente não consigo discernir um pai de um estranho, talvez ele tenha me mudado ou eu tenha mudado ele, sua curiosidade se mostrava maior a cada dia que se passava e assim como eu, ele queria entender esse mundo, ele queria entender tudo que esse mundo podia oferecer, então cedo ou tarde ele faria uma escolha ruim, eu sabia que a busca por conhecimento poderia ter um preço cruel, no entanto eu nunca imaginaria quem pagaria esse alto valor.
A pessoa que eu tanto confiei durante 5 anos finalmente se revelou como o ser mais caótico que eu poderia encontrar, assim como no dia em que eu lhe encontrei, sua pele pálida iluminada pela luz do luar e seu grande sobretudo branco uma ultima vez se mostraram para mim, durante a madrugada ele me levou a seu ultimo destino, um circo estranho, ele continuava dizendo que esse seria o maior espetáculo que eu iria ver, um espetáculo na qual a lua estaria assistindo.
"Você ainda anseia pelo conhecimento de tudo nesse mundo?" Perguntou Rafael com uma expressão calma.
O garoto ainda sem uma resposta definitiva olhou para a lua com a esperança de que um dia pudesse realmente entender a si mesmo.
"Hoje eu finalmente poderei entender um lado que eu nunca vi. Estamos perto." Na distancia era possível enxergar um grande circo iluminado por luzes de LED, onde se esperaria ver dezenas de visitantes era apenas um lugar preenchido pelo vento da madrugada.
"Não sinta medo garoto" Disse Rafael ao entrar no circo. "Logo o espetáculo principal irá começar"
Eu não conseguia entender o porque de estarmos ali ou o que seria o espetáculo principal mas eu sabia que esse dia seria diferente. Ao entrar era possível ouvir gritos e risadas na qual eram quase impossíveis de diferenciar quais eram quais e então como a picada de um simples mosquito eu senti no meu pescoço a grande agulha que me faria dormir, tudo que eu pude ver antes de fechar os olhos completamente era a pessoa que eu mais confiava me carregar.
Eu não era capaz de entender o motivo de ter demorado tanto tempo mas a única coisa que eu podia entender era que ele iria até o fim quando se tratava de obter conhecimento. A minha imersão nos meus próprios pensamentos finalmente chegou ao acabou quando eu acordei. A sala escura gelada tinha seu teto decorado por correntes, mas seu principal item estava naquela fria mesa de metal, o peso do meu corpo pressionado contra a mesa pelas amarras que me prendiam traziam lembranças das noites em que eu vagava buscando um 'proposito'. Eu sabia que precisava sair dali mas apenas a minha persuasão seria capaz de me ajudar, eu deveria falar algo, eu queria falar algo, mas eu não conseguia, eu vi aquele que eu mais confiava sentar ao meu lado sem fazer nada para me salvar.
"Ah yes! Você finalmente acordou little boy." A frase vinha de um homem alto com longos braços, ele vestia uma roupa de bobo da corte e uma mascara repleta de luzes brilhantes assim como o maldito circo. "Don't be scared, seu querido 'pai' vai lhe acompanhar durante todo o processo." Atrás dele, uma mesa de metal composta de ferramentas cirúrgicas enferrujadas, aquelas que um dia ja tiveram a oportunidade de refletir pela luz, hoje se tornaram ferramentas capazes de produzir a mais pura dor.
"Eu lhe disse garoto, este será o maior espetáculo que você verá." A voz sempre calma de Rafael não trazia um tom de acolhimento naquela noite, a sua voz nunca vacilante se tornou instável assim como sua estranha risada que encheu a silenciosa e fria sala.
"Eu confiava em você Rafael." Minha mente não era capaz de entender aquela situação, eu não queria acreditar que a pessoa que eu convivi por cinco anos vai ser o motivo do meu sofrimento, ou pior, da minha morte. "Apesar de vivermos juntos por cinco anos, você nunca me deu um nome..." Meus olhos deixavam lagrimas caírem como a chuva do dia em que eu fugi do orfanato, todas as coisas que aconteciam comigo sempre me faziam lembrar daquele horrível orfanato.
Enquanto preparava suas ferramentas, o bobo da corte disse "Own! Que relação fofa vocês dois tem! É uma pena que não tenhamos mais tempo." O bobo então pega uma corrente pendurada e a puxa revelando uma abertura redonda no teto da sala, pela abertura a luz da Lua batia diretamente no corpo inútil que jazia naquela sala.
Rafael enquanto se levantava da cadeira disse "Você esta errado garoto. Eu lhe dei um nome." Cada palavra era acompanhada por um pesado passo, acima da minha cabeça ele disse "Você só precisa se lembrar."
"SEU MENTIROSO!" Todas as minhas forças foram gastas naquela única frase, eu jurei para mim mesmo que se eu saísse dali eu mataria você Rafael, você seria a peça para eu encontrar o meu "proposito".
"Aprecie esse 'Espetáculo Lunático', ■■■" Rafael voltou a distante cadeira e se sentou.
"Que lindo nome! This gorgeous 'Espetáculo Lunático'" O bobo da corte declarava enquanto ria insanamente, então finalmente agarrou um bisturi.
Eu entendi naquela madrugada que eu não poderia confiar nas pessoas para adquirir meu 'proposito', eu entendi que nenhum deles poderia me guiar a para o meu grande 'proposito', eu devo criar meu 'proposito' com as minhas mãos, não importa como ou quanto tempo leve. EU TEREI O MEU 'PROPOSITO'.

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Eu te odeio Rafael.

Iniciação

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Depois de dias de torturas incessantes, ele escapou, machucado e à beira da loucura ele vagou pelas ruas sendo julgado e tratado como lixo, sua única salvação foi um jovem estranho, sua pele pálida nao trazia boas lembranças mas seu sorriso foi suficiente, ele segurou o menino e se apresentou, seu nome era Gabriel.
Ele oferecia moradia e comida, em troca o garoto teria de ajuda-lo, a resposta foi rápida, um não seguido de uma tentativa de fuga, Gabriel não o impediu, invés disso ele apenas estendeu a mão, sua palma branca como uma folha logo se tornou vermelha, com uma faca ele fez um corte em diagonal, o sangue que escorreu flutuou até o menino e formou uma rosa, linda e perigosa.
A relutância do menino diminuiu, ele estendeu a mão e segurou a rosa, seu dedo foi perfurado por um espinho e o sangue escorreu, a mistura de dois sangues foi como um contrato, ele aceitaria a proposta de Gabriel.

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Sua morte me lembrou um nome, obrigado Gabriel mas nunca serei Azrael.

Expurgo

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Mortes acontecem, é uma pena Gabriel.

Que Missão Chata

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Uma pequena vila, que de santa não se prova nem nos mínimos detalhes, se Deus andasse por esses hereges certamente ele morreria de loucura.

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Legal, uma pedra com lodo, drogas atualizaram pelo visto. Efeito rebote vai bater legal.

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Eu odeio aranhas e padres.

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Eu odeio o diabo e vilas. Não foi um final tão ruim. Pelo menos a espada de lodo fica comigo.

Falso Irmão

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Um cara estranho que conheci num lugar estranho, ou melhor, um cara idiota rodeado por idiotas.

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Ele seria um bom ajudante.

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Realmente ele se tornou um ótimo ajudante, não importa se ele morrer mas vai ser útil por um bom tempo, eu preciso saber mais sobre essa conexão com o tal deus da morte.

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Esse cara me lembra alguém...

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Eu preciso conseguir essa espada.

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Sem ressentimentos ta, mas eu preciso te matar. Depois de tudo, você e ele são a mesma coisa.

Falso Rei

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Por que eu deveria entregar a 'espada'? Ser perseguido por essa seita inútil que só sabe se esconder e chorar pelos cantos é realmente irritante. Qual é o problema em eu ficar com a 'espada'? O 'verdadeiro dono' nunca voltou pra buscar ela então não preciso devolver... não me interessa se essa espada não me reconhece como seu 'Rei', eu vou me tornar rei querendo ou não, com ou sem o apoio das pessoas que eu conheço. Se tornar um rei... mas toda ascensão eventualmente levará a sua queda, então qual é a vantagem de me tornar rei? Não, não é hora de pensar nisso.

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Essa espada pertence à mim.

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